"O Homem que Falava com Espíritos", de Luis Eduardo de Souza (2010), interessante e bem-humorada obra sobre a vida de Chico Xavier. No capítulo "100 frases de Chico para nos inspirar", encontramos estas inspirações a utilizar bem o tempo terrestre:
1. "Embora ninguém possa voltar atrás para fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora a fazer um novo fim."
6. "A gente deve lutar contra o comodismo e a ociosidade; caso contrário, vamos retornar ao mundo espiritual com enorme sensação de vazio. Dizem que eu tenho feito muito, mas, para mim, não fiz um décimo do que deveria ter feito."
7. "A questão mais aflitiva para o espírito no além é a consciência do tempo perdido."
16. "Cada dia que amanhece assemelha-se a uma página em branco, na qual gravamos os nossos pensamentos, ações e atitudes. Na essência, cada dia é a preparação de nosso próprio amanhã."
18. "Cada minuto é uma semente de amor que podes cultivar ou uma abençoada luz que podes acender para o grande futuro."
45. "A hora que passa é preciosa demais para que lhe percamos a grandeza."
74. "Compreender constantemente. Trabalhar sempre. Descansar, quando se mostre necessária a pausa de refazimento. Parar nunca."
94. "Cada hora na vida é recurso potencial para a criação de novos destinos."
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"Jesus no Lar", de Chico Xavier (1950), obra que o mesmo atribui ao espírito Neio Lúcio, a qual descreve passagens que teriam ocorrido nas reuniões de Jesus no círculo mais íntimo dos apóstolos e seguidores da primeira hora, no domicílio de Simão Pedro. No capítulo "12 - O talismã divino", Jesus teria relacionado o quão bem se pode aproveitar o tempo.
Transcrito na íntegra e acrescido de destaques :
"Entabularam os familiares interessante palestra acerca das faculdades sublimes de que o Mestre dava testemunho amplo, curando loucos e cegos, quando Salomé, a zelosa genitora de João e Tiago, indagou, sem preâmbulos:
— Senhor, terás contigo algum talismã de cuja virtude possamos desfrutar? Algum objeto mágico que nos possa favorecer?
Jesus pousou na matrona os olhos penetrantes e falou, risonho:
— Realmente, conheço um talismã de maravilhoso poder. Usando-lhe os milagrosos recursos, é possível iniciar a aquisição de todos os dons de Nosso Pai.
Oferece a descoberta dos tesouros do amor que resplandecem ao redor de nós, sem que lhes vejamos, de pronto, a grandeza.
Descortina o entendimento, onde a desarmonia castiga os corações.
Abre a porta às revelações da arte e da ciência.
Estende possibilidades de luminosa comunhão com as fontes divinas da vida.
Convida à bênção da meditação nas coisas sagradas.
Reata relações de companheiros em discordância.
Descerra passagens de luz aos espíritos que se demoram nas sombras.
Permite abençoadas sementeiras de alegria.
Reveste-se de mil oportunidades de paz com todos.
Indica vasta rede de trilhos para o trabalho salutar.
Revela mil modos de enriquecer a vida que vivemos.
Facilita o acesso da alma ao pensamento dos grandes mestres.
Dá comunicações com os mananciais celestes da intuição.
— Que mais? — disse o Senhor, imprimindo ênfase à pergunta.
E após sorrir, complacente, continuou:
— Sem esse divino talismã, é impossível começar qualquer obra de luz e paz na Terra.
Os olhos dos ouvintes permutavam expressões de assombro, quando a esposa de Zebedeu inquiriu, espantada:
— Mestre, onde poderemos adquirir semelhante bênção? Dize-nos. Precisamos desse acumulador de felicidade.
O Cristo, então, acrescentou, bem-humorado:
— Esse bendito talismã, Salomé, é propriedade comum a todos. É “a hora que estamos atravessando”... Cada minuto de nossa alma permanece revestido de prodigioso poder oculto, quando sabemos usá-lo no Infinito Bem, porque toda grandeza e toda decadência, toda vitória e toda ruína são iniciadas com a colaboração do dia.
E diante da perplexidade de todos, rematou:
— O tempo é o divino talismã que devemos aproveitar." Estava lendo...
"O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec, tradução do original em Francês (1857), que contém os princípios da Doutrina Espírita, segundo os ensinamentos dados pelos chamados Espíritos Superiores, por intermédio de diversos médiums. As perguntas 657 e 988 abordam a utilidade existencial no fazer o bem, desta forma esclarecendo a inutilidade da dedicação total do tempo terrestre à meditação e à contemplação, o que de fato seria a aplicação extrema de uma das sugestões de "Jesus no Lar" no uso do talismã tempo, como vimos, que "convida à bênção da meditação nas coisas sagradas. "
Transcritas na íntegra e acrescidas de destaques :
"657. Têm, perante Deus, algum mérito os que se consagram à vida contemplativa, uma vez que nenhum mal fazem e só em Deus pensam?
Não, porquanto, se é certo que não fazem o mal, também o é que não fazem o bem e são inúteis. Demais, não fazer o bem já é um mal. Deus quer que o homem pense Nele, mas não quer que só Nele pense, pois que lhe impôs deveres a cumprir na Terra. Quem passa todo o tempo na meditação e na contemplação nada faz de meritório aos olhos de Deus, porque vive uma vida toda pessoal e inútil à Humanidade e Deus lhe pedirá contas do bem que não houver feito.”
"988. Há pessoas cuja vida se escoa em perfeita calma; que nada precisando fazer por si mesmas, se conservam isentas de cuidados. Provará essa existência ditosa que elas nada têm que expiar de existência anterior?
“Conheces muitas dessas pessoas? Enganas-te, se pensas que as há em grande número. Não raro, a calma é apenas aparente. Talvez elas tenham escolhido tal existência, mas, quando a deixam, percebem que não lhes serviu para progredirem. Então, como o preguiçoso, lamentam o tempo perdido. Sabei que o Espírito não pode adquirir conhecimentos e elevar-se senão exercendo a sua atividade. Se adormece na indolência, não se adianta. Assemelha-se a um que (segundo os vossos usos) precisa trabalhar e que vai passear ou deitar-se, com a intenção de nada fazer. Há pessoas cuja vida se escoa em perfeita calma; que nada precisando fazer por si mesmas, se conservam isentas de cuidados. Provará essa existência ditosa que elas nada têm que expiar de existência anterior? Sabei também que cada um terá que dar contas da inutilidade voluntária da sua existência, inutilidade sempre fatal à felicidade futura. Para cada um, o total dessa felicidade futura corresponde à soma do bem que tenha feito, estando o da infelicidade na proporção do mal que haja praticado e daqueles a quem haja desgraçado.”
“Conheces muitas dessas pessoas? Enganas-te, se pensas que as há em grande número. Não raro, a calma é apenas aparente. Talvez elas tenham escolhido tal existência, mas, quando a deixam, percebem que não lhes serviu para progredirem. Então, como o preguiçoso, lamentam o tempo perdido. Sabei que o Espírito não pode adquirir conhecimentos e elevar-se senão exercendo a sua atividade. Se adormece na indolência, não se adianta. Assemelha-se a um que (segundo os vossos usos) precisa trabalhar e que vai passear ou deitar-se, com a intenção de nada fazer. Há pessoas cuja vida se escoa em perfeita calma; que nada precisando fazer por si mesmas, se conservam isentas de cuidados. Provará essa existência ditosa que elas nada têm que expiar de existência anterior? Sabei também que cada um terá que dar contas da inutilidade voluntária da sua existência, inutilidade sempre fatal à felicidade futura. Para cada um, o total dessa felicidade futura corresponde à soma do bem que tenha feito, estando o da infelicidade na proporção do mal que haja praticado e daqueles a quem haja desgraçado.”
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"O Evangelho Segundo O Espiritismo", de Allan Kardec, tradução do original em Francês (1864), que contém explicações das máximas morais do Cristo em concordância com o espiritismo e suas aplicações às diversas circunstâncias da vida. O capítulo "XVI-Não se pode servir a Deus e a Mamon" aborda temas relacionadas à utilidade da riqueza, e em seu item 12 questiona a utilização exagerada do trabalho, movida pelo egoísmo, pela cupidez ou pelo orgulho. Como vimos, outra das sugestões de "Jesus no Lar" no uso do talismã tempo, é "o trabalho salutar."
Transcrito na íntegra e acrescido de destaques :
" 12. Quando considero a brevidade da vida, dolorosamente me impressiona a incessante preocupação de que é para vós objeto o bem-estar material, ao passo que tão pouca importância dais ao vosso aperfeiçoamento moral, a que pouco ou nenhum tempo consagrais e que, no entanto, é o que importa para a eternidade. Dir-se-ia, diante da atividade que desenvolveis, tratar-se de uma questão do mais alto interesse para a Humanidade, quando não se trata, na maioria dos casos, senão de vos pordes em condições de satisfazer a necessidades exageradas, à vaidade, ou de vos entregardes a excessos. Que de penas, de amofinações, de tormentos cada um se impõe; que de noites de insônia, para aumentar haveres muitas vezes mais que suficientes! Por cúmulo de cegueira, freqüentemente se encontram pessoas, escravizadas a penosos trabalhos pelo amor imoderado da riqueza e dos gozos que ela proporciona, a se vangloriarem de viver uma existência dita de sacrifício e de mérito – como se trabalhassem para os outros e não para si mesmas! Insensatos! Credes, então, realmente, que vos serão levados em conta os cuidados e os esforços que despendeis movidos pelo egoísmo, pela cupidez ou pelo orgulho, enquanto negligenciais do vosso futuro, bem como dos deveres que a solidariedade fraterna impõe a todos os que gozam das vantagens da vida social? Unicamente no vosso corpo haveis pensado; seu bem-estar, seus prazeres foram o objeto exclusivo da vossa solicitude egoística. Por ele, que morre, desprezastes o vosso Espírito, que viverá sempre. Por isso mesmo, esse senhor tão amimado e acariciado se tornou o vosso tirano; ele manda sobre o vosso Espírito, que se lhe constituiu escravo. Seria essa a finalidade da existência que Deus vos outorgou? – Um Espírito protetor.(Cracóvia, 1861.) "
Está valendo !